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Palavra do Diretor

Djail Santos

Fazer neste espaço um retrato fiel do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba, ou relatar tudo o que é feito em seus Departamentos e Setores, ou os serviços que prestamos à sociedade, é um árduo exercício de síntese e, como tal, traz consigo o risco de passarmos uma impressão de algo simples, pontual, o que está longe de ser verdade.

É preciso destacar que a inauguração da Escola de Agronomia do Nordeste (EAN) em 1936, e a sua evolução desde então, foram uma verdadeira revolução nos contrafortes da Serra da Borborema, já que Areia recebia a missão de desenvolver o trabalho de ensino, extensão e pesquisa em ciências agrárias, ao mesmo tempo em que a USP recebia o seu mandato institucional de desenvolvimento para as áreas de ciências básicas e humanas. Antes, ainda, já existiam o Imperial Instituto Bahiano de Agricultura (1877), Escola Politécnica e Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz-ESALQ, em São Paulo (1894 e 1901), Escola Superior de Agricultura-ESAL, de Lavras (1908), Escola de Agronomia São Bento, de Olinda (1917), Escola de Agronomia do Ceará (1918), Escola Superior de Agricultura e Veterinária-ESAV, de Viçosa (1922), dentre outras, prenunciando a criação de grandes Universidades, como a UFBA, USP, UFLA, UFRPE, UFC e UFV, como a lembrar que as ciências agrárias tiveram o que dizer primeiro, pela sua importância como fonte de conhecimento que alimenta, educa e gera progresso. Fenômenos semelhantes ocorreram em outros Estados. Não foi diferente na Paraíba, sendo a EAN o berço da Universidade da Paraíba, criada em 1955 e federalizada em 1960.

O que se pode concluir sobre a história da EAN e o papel que vem desempenhando no cenário estadual e nacional nestas quase oito décadas? Em resumo, o principal foi sua contribuição decisiva para a implantação da moderna agronomia no Nordeste do Brasil. Antes de 1934 já havia ensino agrícola na Paraíba, mas se limitava ao nível básico e técnico. Havia também outros cursos de Agronomia no Nordeste, mas eram poucos e a EAN surgiu com destaque. Embora alguns trabalhos pioneiros tenham sido realizados anteriormente, a moderna ciência agropecuária inicia-se na Paraíba com a criação da EAN e quando para ela veio um grupo de professores pioneiros da ESAV, de Viçosa, da ESAL, de Lavras, e da Escola de Agronomia São Bento, de Pernambuco, dedicados integralmente à missão de formar profissionais, trazendo como bagagem, em várias áreas, a experiência universitária da região Sudeste e do Estado vizinho.

Considerando que o início da pós-graduação em ciências agrárias no Brasil se deu com a criação do curso de mestrado em fitotecnia, na UFV em 1961, 15 anos após, o CCA já criava seus dois primeiros cursos de pós-graduação, em nível de mestrado. Na Iniciação Científica, o CCA também foi um dos pioneiros no Brasil com a implantação de um programa inovador de treinamento científico de graduandos no início dos anos 80 produzindo as famosas mini-teses. Por duas vezes, em 1987 e 1993, o CCA sediou o Congresso Brasileiro de Iniciação Científica em Ciências Agrárias (CBICCA), recebendo estudantes de todo o País. A elaboração e a defesa de um trabalho de conclusão de curso são hoje reconhecidas pelo MEC como componente imprescindível da formação universitária.

O CCA tem sido o cenário de importantes eventos de atualização profissional para técnicos, produtores, docentes e alunos, desde as Semanas Ruralistas da década de 50, às atuais Semanas Acadêmicas dos cursos de Agronomia, Ciências Biológicas, Medicina Veterinária e Zootecnia nas quais são realizados eventos paralelos, palestras, cursos e oficinas com participantes e palestrantes de vários Estados.

Assim tem sido a façanha da EAN-CCA, que vingou graças à visão daqueles que a idealizaram, a implantaram, a defenderam e a destacaram — estadistas, educadores, cientistas, gestores e historiadores, entre os quais José Américo de Almeida, Juarez Távora, Gratuliano de Brito, Luiz Carvalho Araujo, Raymundo Pimentel Gomes, Diniz Xavier de Andrade, Jaime Coelho de Moraes, Lauro Pires Xavier, Adalberto Alves de Azevedo, Genaro Viana Dornelas e Francisco Tancredo Torres, entre tantos outros.

Esta façanha é o resultado de muito esforço e tenacidade, de êxitos para superar as dificuldades transitórias, de luta contra interesses outros, além da resistência cultural. É o resultado, enfim, de 75 anos de esforços contínuos de várias gerações de docentes e servidores, que contaram com a firme determinação de administradores de vários ministérios do Governo Federal de aplicar recursos consideráveis do erário para a construção de um patrimônio científico e cultural no mesmo nível dos melhores centros de ciências agrárias do Brasil.

É com orgulho que falamos da EAN, mas sempre tendo presente a responsabilidade de aperfeiçoar o CCA, lembrando que cabe aos que estão aqui hoje e aqueles que estarão aqui amanhã, a missão de sermos cada vez melhores. Tal missão será realizada se valores éticos nortearem nossos atos. A ética de abdicar dos interesses de grupos e de individualidades que se colocam acima das finalidades da instituição; a ética de combater o pacto da mediocridade, que defende o grupo contra a competição externa e contra as exigências de um desempenho sempre mais alto.

Quais as referências que apontamos para o futuro próximo? A implantação de uma proposta acadêmica voltada para a valorização do capital humano do CCA; a descentralização e desburocratização administrativa; a plena reintegração dos colegiados à sua função pluralista de definir a política acadêmica e a inserção do CCA nos grandes debates contemporâneos e ampliando a sua área de atuação com novos cursos de graduação e programas de pós-graduação, inclusive à distância; a adoção de uma proposta de ensino inovadora e mais adequada às expectativas de nossos alunos e às demandas da sociedade; e uma política de pesquisa que seja, ao mesmo tempo, pautada por critérios qualitativos e integrada à extensão e às necessidades sociais e econômicas da sociedade em geral.

Parabéns a Universidade Federal da Paraíba e a todos que fazem o Centro de Ciências Agrárias. Ao completar 75 anos de maturidade, o CCA continua a crescer comprometido com os desafios de seu tempo, integrando-se cada vez mais à sociedade e ampliando sua atuação internacional. É no exemplo de passado histórico de desafios e de conquistas da EAN e na qualidade crescente dos seus quadros de docentes, de servidores técnico-administrativos e de estudantes do CCA que se encontra a principal motivação e os meios para este crescimento.

Entretanto, mais do que um compromisso com o passado, essa maturidade inspira o desafio de delinear, desde já, as bases de seu futuro, sempre renovado na esperança das novas gerações.

Abriguemo-nos todos à sombra da Imburana e de todos os grandes homens e mulheres que por aqui passaram, honrando o seu trabalho, dedicação e exemplo para as gerações atuais e futuras.

Areia (PB), 12 de Abril de 2011.

 

 

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